Amor, vínculos, desejo e luto

A difícil arte de amar a nós mesmos

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:52

2 min de leitura
🧐📄 *TEXTÃO DE HOJE* A difícil arte de amar a nós mesmos Todo mundo fala de amor como se fosse uma emoção espontânea, mágica, que simplesmente “acontece”. Mas Erich Fromm lembra que essa é justamente a grande ilusão moderna: confundir sentir amor com saber amar. Nós caímos na armadilha de achar que o problema do amor está em encontrar “a pessoa certa”, quando, na verdade, o problema está em nos tornarmos pessoas capazes de amar. O amor — diz Fromm — é uma arte, e toda arte exige disciplina, coragem, humildade e prática constante. Vivemos em uma cultura que treina tudo, menos o amor. Treinamos para ganhar dinheiro, ser produtivos, parecer interessantes… mas não para cuidar profundamente de alguém, nem de nós mesmos. Queremos ser amados, não amar. Queremos ser escolhidos, não escolher. Queremos receber, mas não nos responsabilizamos pela parte que nos cabe em qualquer vínculo verdadeiro. O amor começa quando entendemos que amar é um verbo ativo: é cuidado, presença, responsabilidade, respeito e conhecimento. É acompanhar o outro sem possuí-lo. É olhar sem tentar moldar. É estar junto sem exigir que o outro preencha nossos vazios. É renunciar à fantasia infantil de fusão e assumir a tarefa adulta da construção. Mas Fromm nos entrega o golpe final: Só é capaz de amar quem já não teme a própria solidão. Se eu dependo do outro para não desmoronar, chamo de amor aquilo que é apenas necessidade. Se preciso dominar ou ser dominado, chamo de amor o que é, na verdade, medo. Se não consigo ficar comigo mesmo, não conseguirei verdadeiramente estar com ninguém. O que falta não é romance — é maturidade. O que machuca não é o outro — é nossa forma infantil de procurar saídas rápidas para a angústia de existir. No fim, amar é aceitar a tarefa mais profunda da vida: sair da prisão do próprio eu para encontrar o outro sem perder a si mesmo.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Erich Fromm