Clínica e técnica psicanalítica

Otto Kernberg e o desafio de sustentar o limite

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 06:46

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🧐📄 *TEXTÃO DO HOJE* Otto Kernberg e o desafio de sustentar o limite Na clínica, há sujeitos que vivem à beira do abismo: amam e destroem com a mesma intensidade, idealizam e desvalorizam no mesmo gesto. São os pacientes que Otto Kernberg chamou de organizações borderline de personalidade — aqueles cuja dor não cabe nas categorias clássicas da neurose ou da psicose. Kernberg nos convida a olhar além do sintoma e enxergar o que está em jogo: uma fragilidade na integração do eu, um self fragmentado entre imagens contraditórias de amor e ódio, entre o desejo de fusão e o medo do abandono. Ele mostra que a clínica do limite não é apenas um campo de risco, mas um território fértil de criação psíquica. Sua proposta de entrevista e diagnóstico estrutural devolve ao analista uma bússola ética: compreender não apenas o que o paciente faz, mas como sua mente está organizada. E, sobretudo, sustentar a transferência — mesmo quando o vínculo oscila entre idealização e ataque — é o que torna possível a reconstrução interna do sujeito. Kernberg nos lembra que a cura não é a ausência de conflito, mas a capacidade de integrar o que antes estava dividido. O trabalho analítico, nesse sentido, é o de transformar a cisão em ligação, o ódio em palavra, a repetição em história. “A integração da identidade é o núcleo do processo terapêutico.” — Otto F. Kernberg

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Otto Kernberg