Teoria e conceitos

Freud, “Introdução ao Narcisismo” (1914)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 06:59

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🧐📄 *Textão do Dia* Freud, “Introdução ao Narcisismo” (1914) Freud inaugura aqui uma das mais finas viradas de sua metapsicologia: a passagem da libido dirigida ao outro para a libido investida no próprio Eu. O narcisismo não é apenas uma patologia — é um momento estrutural do sujeito. Antes de amar, o sujeito precisa amar-se. Antes de se endereçar ao outro, há um tempo em que o corpo é o primeiro objeto de desejo. Freud nomeia isso de narcisismo primário, uma fase em que a libido está voltada ao próprio Eu e sustenta a autoconservação. Mais tarde, uma parte dessa energia é cedida aos objetos — é o nascimento do amor, da idealização, do investimento no outro. Mas essa passagem nunca é completa: o narcisismo permanece como reserva, como fundo energético do Eu. Daí Freud concluir: quanto mais amamos um objeto, mais empobrecemos a nós mesmos — e vice-versa. A partir da observação das psicoses (como a esquizofrenia e a paranoia), Freud percebe que há um retorno da libido dos objetos ao Eu, instaurando uma megalomania narcísica: o sujeito retira o amor do mundo e o devolve a si, restaurando, de forma delirante, o brilho do narcisismo primário. O texto marca também a fundação do conceito de ideal do Eu, núcleo que vai evoluir depois para a noção de Supereu. O ideal do Eu é o herdeiro do narcisismo infantil: a instância que vigia, critica, observa — e que substitui o “Eu perfeito” da infância perdida. É dele que brota a voz moral e a consciência, mas também a culpa e o sentimento de insuficiência.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Sigmund Freud