O Trauma em Freud e Winnicott
🧐📄 Textão do Dia
O Trauma em Freud e Winnicott
Freud entende o trauma como um excesso de excitação que o psiquismo não consegue descarregar. É algo que ultrapassa a capacidade do sujeito de elaborar e deixa marcas duradouras. Esse excesso está ligado à sexualidade infantil e ao Complexo de Édipo: o trauma surge quando o desejo é reprimido ou proibido, e a energia (libido) fica represada. Assim, o trauma é motor da neurose e também da cultura, pois toda civilização se constrói sobre a renúncia pulsional.
Já Winnicott vê o trauma de outra forma. Para ele, o trauma acontece quando há uma falha do ambiente — quando o bebê perde a sensação de continuidade de ser. No início da vida, o sujeito depende totalmente do outro (geralmente a mãe) para existir e se sentir real. Quando essa sustentação falha, o bebê é invadido por experiências que não consegue processar, o que ameaça sua identidade.
O trauma, em Winnicott, não é excesso de energia, mas ruptura da confiança. Ele fala em diferentes níveis: a falha inicial que impede o surgimento do self; as intrusões precoces; a perda de confiabilidade no ambiente; e as feridas nas relações, como no Édipo.
Enquanto Freud explica o trauma pelo conflito interno, Winnicott o explica pela falha na relação. Freud fala de libido; Winnicott, de cuidado. Freud se baseia na descarga de energia; Winnicott, na continuidade de existir.
Freud vê o trauma como o que excede o aparelho psíquico; Winnicott, como o que rompe o vínculo com o ambiente.
Freud aponta o desejo como ferida; Winnicott, a falta de amparo.
O trauma não é apenas o que nos fere, mas o que interrompe o processo de ser quem somos.
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.
Falar comigo