Infância, trauma e constituição do sujeito

O Trauma em Freud e Winnicott

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:53

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🧐📄 Textão do Dia O Trauma em Freud e Winnicott Freud entende o trauma como um excesso de excitação que o psiquismo não consegue descarregar. É algo que ultrapassa a capacidade do sujeito de elaborar e deixa marcas duradouras. Esse excesso está ligado à sexualidade infantil e ao Complexo de Édipo: o trauma surge quando o desejo é reprimido ou proibido, e a energia (libido) fica represada. Assim, o trauma é motor da neurose e também da cultura, pois toda civilização se constrói sobre a renúncia pulsional. Já Winnicott vê o trauma de outra forma. Para ele, o trauma acontece quando há uma falha do ambiente — quando o bebê perde a sensação de continuidade de ser. No início da vida, o sujeito depende totalmente do outro (geralmente a mãe) para existir e se sentir real. Quando essa sustentação falha, o bebê é invadido por experiências que não consegue processar, o que ameaça sua identidade. O trauma, em Winnicott, não é excesso de energia, mas ruptura da confiança. Ele fala em diferentes níveis: a falha inicial que impede o surgimento do self; as intrusões precoces; a perda de confiabilidade no ambiente; e as feridas nas relações, como no Édipo. Enquanto Freud explica o trauma pelo conflito interno, Winnicott o explica pela falha na relação. Freud fala de libido; Winnicott, de cuidado. Freud se baseia na descarga de energia; Winnicott, na continuidade de existir. Freud vê o trauma como o que excede o aparelho psíquico; Winnicott, como o que rompe o vínculo com o ambiente. Freud aponta o desejo como ferida; Winnicott, a falta de amparo. O trauma não é apenas o que nos fere, mas o que interrompe o processo de ser quem somos.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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