Infância, trauma e constituição do sujeito

Adolescência: crescer também é confrontar

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:02

2 min de leitura
🧐📝 *Textão do Dia* *Adolescência: crescer também é confrontar* Para Winnicott, a adolescência não deve ser tratada como uma falha a ser corrigida rapidamente. Ela é uma etapa do amadurecimento marcada pela imaturidade, pela busca de identidade, pelo confronto e pela necessidade de sentir-se real. O adolescente está tentando descobrir quem é. Por isso, respostas prontas costumam produzir resistência. Conselhos, explicações e soluções oferecidas pelos adultos podem ser recusados não porque ele não precise de ajuda, mas porque precisa encontrar algo que possa reconhecer como próprio. O texto destaca que o jovem está empenhado em descobrir o próprio eu para poder ser fiel a ele. Winnicott considera a imaturidade uma parte preciosa desse período. Nela estão a criatividade, as ideias novas e a possibilidade de experimentar diferentes maneiras de existir. Crescer exige tempo. Não há como apressar artificialmente esse processo sem correr o risco de produzir aquilo que o próprio Winnicott chama de falsa maturidade. Mas independência e dependência não aparecem separadas. O mesmo adolescente que confronta, provoca e exige distância pode precisar intensamente de sustentação. A rebeldia convive com a necessidade de encontrar adultos que permaneçam presentes. O ambiente precisa suportar esse movimento sem desaparecer diante do conflito e sem responder com vingança ou humilhação. É aqui que família e escola assumem uma função decisiva. Sustentar não significa permitir tudo. Winnicott aponta para uma presença capaz de reunir firmeza e afeto: acolher quando há dependência, estabelecer limites quando necessário e sobreviver ao confronto sem transformar a relação em uma disputa de poder. O adolescente precisa encontrar um mundo suficientemente estável para poder questioná-lo. Porque parte de crescer consiste justamente nisso: testar se aquilo que permanece diante de nós é sólido o bastante para que possamos, pouco a pouco, construir um lugar próprio dentro dele.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.

Autores citados

Donald Winnicott