Subjetividade contemporânea

O Sujeito na Contemporaneidade (Joel Birman)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:42

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🧐📄 *Textão do Hoje* *O Sujeito na Contemporaneidade (Joel Birman)* Na leitura de Joel Birman, o sujeito contemporâneo é aquele que perdeu o eixo do tempo. Vivemos presos num eterno presente, onde a repetição substitui o devir, e o espaço — esse cenário saturado de imagens e estímulos — toma o lugar da temporalidade que permitia elaborar, sonhar e simbolizar. O tempo, outrora fundamento do desejo e da subjetivação, cede lugar à instantaneidade, à dor e ao desalento. Birman observa que o sujeito atual, submetido ao imprevisível e à vertigem dos acontecimentos, deixa de sofrer para apenas doer. A dor é espacial, fechada em si mesma, sem apelo ao outro; o sofrimento, ao contrário, implicava alteridade, endereçamento e possibilidade de simbolização. O contemporâneo, ao anestesiar o tempo, empobrece o campo simbólico — e, com ele, a própria capacidade de sonhar. O sonho, diz Birman, era o guardião do desejo e sustentava o fio narrativo do inconsciente. Mas, à medida que a cultura do espetáculo e da técnica coloniza a psique, o sonho é silenciado e substituído por uma compulsão à repetição traumática. O sujeito que antes sonhava, hoje repete — da cena ao sintoma, da memória ao ato. A psicanálise, nesse contexto, é convocada não a restaurar o antigo sujeito moderno, mas a reabrir a fenda do tempo: permitir que o desejo volte a falar, que a dor se converta em palavra, que o desalento se transforme em desamparo — isto é, em possibilidade de laço e de criação. > “Tudo se passa como se a subjetividade acreditasse que estivesse vivendo num eterno presente, no qual a repetição do mesmo fosse tão poderosa que não anunciasse mais qualquer possibilidade de ruptura.” — Joel Birman O desafio psicanalítico de nosso tempo é restaurar a experiência do sonho — não como fuga da realidade, mas como resistência ao real que nos captura. Sonhar, hoje, é um ato político e clínico: é o gesto mínimo de quem se recusa a ser pura imagem, pura dor ou puro presente. É o esforço de reinscrever-se no tempo, de reinventar a si e ao outro pela via da palavra.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Joel Birman