Cultura, literatura e sociedade

O Sentido da Vida segundo Contardo Calligaris

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 06:38

2 min de leitura
🧐📄 *Textão de hoje* *O Sentido da Vida segundo Contardo Calligaris * Vivemos em um tempo em que parece haver uma pressão constante para sermos felizes. Revistas, palestras, redes sociais — todos vendem a promessa de uma vida plena, quase como se a felicidade fosse uma obrigação. Mas, como lembra Contardo Calligaris em O sentido da vida, talvez estejamos procurando no lugar errado. > “Até aqui, tenho dito que, para mim, a felicidade, seja lá o que ela for, não depende de a vida e o mundo terem um sentido no qual eu acredite.” O autor nos convida a deslocar o foco: em vez de buscarmos um grande “sentido” fora da vida, no além, em ideologias ou promessas de transcendência, deveríamos olhar para a própria experiência concreta. A vida não precisa ser justificada por algo externo — ela vale por si mesma, no prazer, nas dores e até nos vazios. > “O sentido da vida é a própria vida concreta. A que vivemos e da qual faz parte também morrer.” Essa perspectiva, que parece simples, é profundamente libertadora. Quantas vezes nos distraímos com a cobrança de ser feliz, de construir um legado, de provar que “vale a pena”? Calligaris mostra que talvez tudo isso seja uma distração que nos afasta daquilo que realmente importa: viver uma vida interessante. Não se trata de negar a dor, a finitude ou as perguntas sem resposta. Mas de aceitar que a intensidade da vida está justamente em atravessar tudo isso sem buscar atalhos. Interessante é viver a experiência — seja ela de alegria ou de luto, de prazer ou de perda — sem tentar anestesiá-la com ilusões. > “O que nos impede de aproveitar a vida (o que impede o prazer) é se distrair da vida e se desapegar dela.” Talvez o convite de Calligaris seja esse: não se trata de morrer bem ou de viver para o amanhã. Trata-se de estar aqui, presente, com coragem de experimentar o que nos cabe. Uma vida não precisa ser feliz — basta que seja vivida com intensidade e interesse.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Contardo Calligaris