A Neurose Obsessiva no Divã de Lacan
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*A Neurose Obsessiva no Divã de Lacan*
Charles Melman nos mostra como a obsessão vai muito além de “mania” ou “perfeccionismo”. Ela é, antes de tudo, uma forma de o sujeito se proteger do desejo e da angústia. O obsessivo tenta sempre adiar, calcular, raciocinar sem parar, como se pudesse escapar da falta que o habita.
Como escreve Melman: “A obsessão é a arte de fazer o tempo passar sem que nada de decisivo aconteça.” Essa paralisia não é falta de vontade, mas uma estratégia sofisticada de defesa frente ao que pode desestabilizar.
Lacan, lembrado por Melman, aponta que “o obsessivo é aquele que nunca chega a tempo, justamente porque precisa sempre ganhar tempo”. É nesse intervalo entre decidir e adiar que a vida muitas vezes escapa.
O livro também evidencia que a lógica obsessiva não é só individual: ela reflete o modo como nossa cultura valoriza o controle, a ordem e o excesso de racionalidade. O obsessivo se torna um retrato ampliado de uma sociedade que teme o imprevisto e prefere calcular a se arriscar.
Na clínica, compreender esse funcionamento é fundamental. O analista não busca “curar” o obsessivo de suas manias, mas abrir espaço para que ele se confronte com o desejo que tenta evitar. Afinal, como lembra Melman, “o obsessivo prefere a prisão do pensamento à liberdade de se confrontar com o desconhecido.”
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
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