O Adolescer na Contemporaneidade
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*O Adolescer na Contemporaneidade*
O livro O Adolescer na Contemporaneidade, de Roosevelt Cassorla e Roberta Goelzer, nos convida a compreender o adolescente como um ser em luto, em travessia e em busca de sentido num mundo marcado pela instabilidade.
Mais do que uma fase, a adolescência é um processo de dessimbiotização — o rompimento com as figuras parentais e com os ideais infantis —, onde o sujeito tenta construir uma identidade própria em meio a ideais frágeis e valores líquidos.
“O adolescente tem uma facilidade muito grande de sair de um idealismo para um fanatismo.”
Essa frase de Cassorla sintetiza o perigo e a potência da juventude.
Entre o desejo de liberdade e o terror de crescer, o adolescente lida com lutos simbólicos: pelo corpo infantil, pelos pais idealizados e pela segurança que se desfaz.
A crise adolescente não é patologia — é o próprio movimento vital de reinvenção do sujeito.
A psicanálise mostra que nenhum ser humano existe fora da sociedade, e o adolescente expressa como poucos as tensões de seu tempo.
Em um cenário de hiperconexão e imediatismo, a construção da subjetividade exige tempo — mas a cultura atual exige pressa.
As redes sociais oferecem pertencimento e simultaneamente intensificam o desamparo: a validação depende do olhar do outro, o ego se torna cada vez mais corporal e imagético.
Cassorla e Goelzer observam que quando o luto simbólico não se completa, surgem descargas em ato, mutilações e toxicomanias — tentativas desesperadas de simbolizar o vazio.
> “Antes de tudo, o ego é um ego corporal.”
A frase freudiana ecoa na clínica com adolescentes: o corpo fala onde as palavras ainda não se formaram.
Os autores também destacam a cultura do narcisismo — uma sociedade que valoriza o espetáculo e a imagem em detrimento da solidariedade e dos vínculos reais.
Nesse contexto, o analista precisa ajudar o adolescente a sonhar novamente, a resgatar o sentido interno que se perde no barulho do mundo.
> “O processo analítico é um sonho a dois.”
O analista torna-se, assim, o espaço possível de reinvenção simbólica.
Adolescer é uma travessia entre a dependência e a autonomia, entre o ideal e o real.
É um tempo de crise, mas também de criação — onde a imaturidade, como dizia Winnicott, é uma parte saudável do processo.
O desafio da contemporaneidade é permitir que o adolescente sinta desprazer, luto e espera, sem anestesiar-se na rapidez do consumo ou nas ilusões digitais.
Cassorla e Goelzer nos lembram que o papel do analista é ser testemunha e continente:
um lugar onde o jovem possa simbolizar, errar, recomeçar — e, sobretudo, encontrar-se consigo mesmo fora do discurso dos outros.
> “Na adolescência, é preciso se afastar do discurso de fora para encontrar quem se é dentro.”
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.
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