Narcisismo e Relações Amorosas
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*Narcisismo e Relações Amorosas*
O que acontece quando amar deixa de ser encontro e passa a ser espelho? No capítulo Narcisismo e Relações Amorosas, somos confrontados com uma verdade clínica incômoda: muitas relações não são sustentadas pelo reconhecimento do outro como sujeito, mas pela necessidade de confirmação do próprio eu. Amar, nesses casos, não é se vincular — é se manter.
A leitura nos conduz a compreender que o narcisismo, longe de ser apenas amor-próprio saudável, pode estruturar vínculos profundamente frágeis. O parceiro deixa de ser alguém com alteridade e passa a ocupar a função de objeto: alguém que deve admirar, validar, preencher falhas internas. Quando essa função falha — inevitavelmente — surgem decepção, raiva e, muitas vezes, ruptura. Não porque o amor acabou, mas porque o outro deixou de cumprir sua função narcísica.
Na clínica, isso aparece de forma recorrente: relações intensas, idealizadas no início, seguidas de desvalorização. O amor, nesses casos, não suporta a realidade do outro. Falta a capacidade de integrar ambivalência — amar e odiar o mesmo objeto. Sem essa integração, o vínculo oscila entre fusão e rejeição, sem estabilidade. Amar exige suportar que o outro não é extensão do eu.
Por isso, talvez o ponto mais importante seja este: o amor maduro só se sustenta quando o narcisismo cede espaço para o reconhecimento da alteridade. Amar não é encontrar alguém perfeito para preencher faltas, mas suportar a imperfeição do outro sem destruí-lo — nem destruir a si mesmo. Na psicanálise, amar é, antes de tudo, sair do espelho.
E você, nas suas relações, tem amado o outro… ou apenas a imagem que ele sustenta de você?
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
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