Infância, trauma e constituição do sujeito

Brincar e Reflexão (André Green)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 08:42

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🧐📄 *Textão de hoje* *Brincar e Reflexão (André Green)* Para André Green, brincar não é apenas atividade da infância, mas um processo fundamental de simbolização que acompanha toda a vida psíquica. Ele afirma que *“o brincar é o lugar privilegiado onde o sujeito pode ensaiar a ausência do objeto, inventar sua presença e elaborar sua perda”*. Nesse movimento, a criança – e também o adulto em análise – cria um espaço intermediário em que fantasia e realidade se entrelaçam. Como escreve Green, “é nesse espaço que se joga a partida entre a vida e a morte psíquica”, pois o brincar permite não apenas criar, mas também destruir e recriar representações. A reflexão nasce justamente desse jogo. Green observa que “a função reflexiva é inseparável da experiência lúdica”, porque só quando o sujeito pode brincar com as imagens, com as palavras e até com os silêncios, abre-se a possibilidade de pensar de outro modo. Assim, o brincar é também uma forma de pensamento vivo, que não se reduz à lógica racional, mas que sustenta o trabalho do inconsciente. No setting analítico, o analista precisa, segundo Green, *“manter aberto esse espaço de jogo psíquico, onde as representações possam se mover, se transformar e se reinventar”*. A provocação que Green nos deixa é direta: será que damos espaço ao brincar em nossas vidas e reflexões? E, mais ainda, como podemos sustentar esse jogo no encontro analítico, onde brincar e refletir se tornam inseparáveis caminhos de criação e cura?

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

André Green