Quando o amor encontra o espelho da solidão
🧐📄 *Textão de hoje*
*Quando o amor encontra o espelho da solidão*
Amar, no século XXI, é também um ato de encarar a si mesmo. A cada relação, carregamos não apenas o desejo pelo outro, mas o peso de nossas próprias faltas, inseguranças e expectativas. Em A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, Ana Suy nos lembra que o encontro amoroso é, inevitavelmente, um espelho — e nem sempre estamos preparados para o reflexo que vemos.
O amor, como descreve a autora, não é a fusão perfeita de duas almas, mas um campo de tensão entre o que se oferece e o que se retém. Entre o ideal romântico e a experiência real existe um território marcado por desencontros, silêncios e o inevitável mal-entendido. E é nesse espaço que a solidão, muitas vezes, se instala mesmo a dois.
Suy costura a psicanálise e a vida cotidiana para mostrar que a busca pelo amor raramente é apenas pelo outro. “A verdade é que miramos no amor para acertar, no fundo, em nós mesmos”, escreve. Essa constatação desloca o foco do relacionamento como promessa de completude para a experiência como campo de autoconhecimento e responsabilidade afetiva.
> Amar é também aceitar que o outro não é a extensão de nós, mas um estrangeiro com quem aprendemos a negociar fronteiras.
A autora nos provoca a abandonar a idealização romântica e assumir o risco do vínculo real — aquele que não garante eternidade, mas possibilita encontros verdadeiros. No fim, a solidão não é inimiga do amor, mas parte inevitável dele: um lembrete de que, para estar com o outro, é preciso antes suportar a própria companhia.
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.
Falar comigo