Teoria e conceitos

Por que fazemos aquilo que fazemos?

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 11:23

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🧐📄 *Textão do Dia* *Por que fazemos aquilo que fazemos?* Há uma pergunta que acompanha a psicanálise desde Freud e que continua tão atual quanto há mais de um século: por que fazemos aquilo que fazemos? Costumamos acreditar que somos inteiramente conscientes de nossas escolhas. Pensamos que sabemos por que amamos certas pessoas, repetimos determinados padrões ou reagimos de maneira intensa diante de situações aparentemente simples. No entanto, Freud nos convida a desconfiar dessa certeza. Para a psicanálise, um lapso não é apenas um erro. Um esquecimento não é sempre casual. Um sintoma não é apenas um problema a ser eliminado. Há algo em cada um desses acontecimentos que fala de uma história, de um desejo, de um conflito ou de uma verdade que ainda não encontrou palavras. A grande descoberta freudiana não foi apenas a existência do inconsciente, mas a compreensão de que existe uma lógica por trás daquilo que parece sem sentido. O sofrimento psíquico não surge do nada. Ele é uma tentativa de expressão. Mesmo quando nos faz sofrer, o sintoma continua sendo uma forma de linguagem. Talvez por isso a escuta analítica seja tão diferente do conselho ou da orientação. O analista não procura dizer ao sujeito quem ele é. Procura criar as condições para que o próprio sujeito descubra aquilo que já estava sendo dito por seus sonhos, por suas repetições, por suas escolhas amorosas e até pelos seus fracassos. Freud nos ensinou que existe em nós uma parte que desconhecemos, mas que participa silenciosamente de tudo aquilo que fazemos. E talvez o trabalho de uma análise não seja eliminar essa dimensão desconhecida, mas aprender a escutá-la. Porque muitas vezes o sofrimento diminui não quando encontramos respostas rápidas, mas quando começamos a formular perguntas melhores sobre nós mesmos.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Sigmund Freud