O comer como linguagem do sofrimento psíquico
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O comer como linguagem do sofrimento psíquico
O livro Da geladeira ao divã propõe uma investigação do ato de comer como uma expressão do sofrimento psíquico, especialmente nos quadros de compulsão alimentar. O texto parte da prática clínica com pacientes que apresentam transtornos alimentares para examinar como a relação com a comida pode operar como modo de regulação subjetiva, defesa e enunciação.
Desde a introdução, o texto afirma: “O alimento funciona como operador de sentidos diversos no campo do sofrimento psíquico” (p. 11). Comer passa a ser analisado como uma tentativa de simbolizar o vazio, lidar com a angústia ou substituir o Outro faltante. “A comida é investida como presença, como suplência do que falta” (p. 13).
A autora articula conceitos psicanalíticos como pulsão oral, função materna e narcisismo, com o objetivo de pensar o comer compulsivo como uma forma de discurso que responde a um mal-estar não simbolizado. A compulsão é tratada como “uma tentativa fracassada de significar algo do sofrimento” (p. 20), muitas vezes ligado a uma relação primária marcada por invasão, abandono ou excesso.
O texto também examina o papel do corpo na clínica contemporânea, marcando que o corpo que come demais é um corpo falante, marcado pela inscrição do gozo. “O corpo da compulsão é aquele que busca calar a dor pela via do excesso” (p. 25). Nesse sentido, o ato de comer não responde à necessidade fisiológica, mas a uma urgência psíquica que não encontra outro modo de expressão.
A autora traz casos clínicos para demonstrar como a escuta psicanalítica permite que o sujeito comece a nomear sua experiência, deslocando a fixação no alimento para a possibilidade de construção de uma narrativa. “A escuta permite a emergência de uma fala que substitui a comida como resposta única ao sofrimento” (p. 30).
Outro ponto desenvolvido é a relação entre a função materna e a oralidade. O texto destaca que, em muitos casos, o alimento é o primeiro modo de presença do Outro para o bebê, o que marca a forma como esse sujeito lidará com a ausência, a espera e o desejo. “O alimento é, inicialmente, a presença do Outro” (p. 33).
O livro conclui enfatizando que o trabalho clínico com sujeitos compulsivos requer tempo, escuta e suspensão dos julgamentos moralizantes. A comida, nesse contexto, deixa de ser o problema para tornar-se a via de entrada para o sofrimento psíquico. “É preciso escutar o que o sujeito está dizendo com sua forma de comer” (p. 40).
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Referência:
Da geladeira ao divã. Todas as citações foram extraídas diretamente do arquivo enviado.
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.
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