Clínica e técnica psicanalítica

A histeria segundo a teoria e a clínica psicanalítica

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 08:00

3 min de leitura
🧐📄 *Textão do dia* A histeria segundo a teoria e a clínica psicanalítica O livro A Histeria – Teoria e Clínica Psicanalítica apresenta uma abordagem sistemática da histeria como estrutura clínica dentro da psicanálise. A obra organiza-se em torno da escuta dos sintomas histéricos, suas manifestações somáticas e discursivas, e sua articulação com o desejo do Outro. Nasio constrói sua análise a partir da teoria freudiana e lacaniana, com ênfase na escuta do sujeito e na função do sintoma. Logo no início, o autor define a histeria como um “sofrimento corporal ligado ao desejo inconsciente de um outro” (p. 14). O corpo histérico é descrito como “um corpo que fala” (p. 15), cujos sintomas são mensagens endereçadas ao Outro, marcadas por ambivalência e teatralidade. A estrutura histérica é caracterizada por uma divisão subjetiva intensa e uma relação de alienação com o desejo do Outro. O sujeito histérico não sabe o que quer, pois busca ser desejado antes de desejar. “O histérico quer ser amado mais do que quer amar” (p. 24). Essa posição subjetiva implica uma constante demanda de reconhecimento e amor, e uma relação com a castração que se apresenta na forma de protesto e fascinação. O autor apresenta quatro formas principais de sintomas histéricos: crises conversivas, sintomas somáticos permanentes, sintomas de angústia e condutas de sedução. Em todos eles, o que está em jogo é o corpo como palco da expressão do inconsciente. “A histeria se exprime no corpo e não apenas na palavra” (p. 31). No plano clínico, o sintoma histérico é entendido como uma encenação de um conflito psíquico inconsciente. O corpo histérico “encarna o conflito entre o desejo e a lei” (p. 37). A escuta analítica deve captar esse drama subjetivo, desvelando o desejo recalcado e sua articulação simbólica. Nasio propõe que o tratamento da histeria não visa apenas a extinção do sintoma, mas a transformação da posição subjetiva do paciente. A análise permite ao sujeito se apropriar de seu desejo e sair da posição de objeto do Outro. “O histérico sofre por ser o lugar onde o desejo do Outro se inscreve” (p. 43). O autor também examina a função da transferência na histeria, apontando que o histérico transfere para o analista a posição de sujeito suposto saber e simultaneamente o desafia e seduz. “A transferência histérica é erotizada e ambivalente” (p. 52). O analista deve sustentar sua posição ética sem se deixar capturar pela demanda de amor. A histeria é então compreendida como estrutura de defesa diante da castração simbólica, sustentada por uma identificação com a falta do Outro. “A histérica faz da sua falta um meio de gozo” (p. 56). O gozo histérico está ligado à manutenção da divisão subjetiva, do enigma e do sofrimento como forma de permanecer no campo do desejo do Outro. Por fim, o livro afirma que a direção da cura exige que o sujeito se responsabilize por seu desejo, desidentificando-se do Outro e reconhecendo a própria castração. “O fim da análise é o fim da histeria como posição subjetiva” (p. 67). --- Referência: NASIO, Juan-David. A Histeria – Teoria e Clínica Psicanalítica. Tradução de Claudia Berliner. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005. Todas as citações foram extraídas diretamente do arquivo A Histeria - Teoria e Clinica Psicanalitica - (J-D Nasio).pdf.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.

Autores citados

J.-D. Nasio