Teoria e conceitos

Introdução ao Narcisismo e Ensaios de Metapsicologia (1914–1916)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 09:16

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🧐📖Bom dia pessoal, texto de hoje é sobre a obra clássica de 1914 Introdução ao Narcisismo e Ensaios de Metapsicologia (1914–1916) A coletânea reúne textos fundamentais para o desenvolvimento da metapsicologia freudiana, contendo as bases teóricas para a compreensão das estruturas psíquicas em sua dinâmica inconsciente. Os ensaios, escritos entre 1914 e 1916, aprofundam os conceitos de pulsão, inconsciente, recalque, narcisismo e luto, articulando teoria clínica e estruturação do aparelho psíquico. No texto Introdução ao Narcisismo (1914), é proposto que o narcisismo representa uma etapa intermediária entre o autoerotismo e o amor objetal. Afirma-se que “o indivíduo apresenta uma libido que, ao invés de investir objetos externos, retorna para o próprio Eu” (p. 8). O narcisismo é, portanto, uma formação libidinal essencial na constituição do sujeito. Freud diferencia o narcisismo primário, necessário ao desenvolvimento psíquico, do narcisismo secundário, ligado à retração da libido dos objetos. O delírio dos paranóicos, por exemplo, é considerado uma expressão do narcisismo patológico: “a megalomania desses doentes pode ser explicada por uma reinvestidura narcísica” (p. 19). No ensaio O Inconsciente (1915), o autor retoma a tópica do aparelho psíquico e postula a existência do inconsciente como sistema com leis próprias. Distingue-se entre o que é pré-consciente e o que permanece inconsciente por força do recalque. A afirmação central do texto é que “a essência do recalcado é sua incapacidade de atingir a consciência” (p. 87). A linguagem do inconsciente opera por condensações e deslocamentos, sendo irredutível à lógica consciente. O ensaio Os Instintos e Seus Destinos (1915) apresenta uma teoria das pulsões a partir de suas quatro características: fonte, finalidade, intensidade e objeto. São identificados os destinos possíveis das pulsões: reversão no oposto, transformação no contrário, recalcamento e sublimação. A ambivalência afetiva, fundamental para as neuroses, é demonstrada com base na coexistência de amor e ódio. A pulsão de morte ainda não aparece como conceito nesse texto, mas sua antecipação se faz sentir. O autor afirma: “As pulsões não são eliminadas, apenas deslocadas, disfarçadas ou invertidas” (p. 53). Em O Recalque (1915), é abordado o mecanismo responsável pela constituição do inconsciente. O recalque é descrito como operação que mantém certas representações afastadas da consciência devido ao seu conteúdo pulsional incompatível com o Eu. A repressão primária instaura o inconsciente e constitui o primeiro tempo da divisão do sujeito. “A única maneira de reprimir uma ideia é mantê-la fora da consciência” (p. 97), escreve Freud, reforçando que o recalque não é esquecimento, mas fixação estrutural. No texto O Luto e a Melancolia (1917), são comparadas duas formas de elaboração da perda. No luto, há progressiva retirada da libido do objeto perdido; na melancolia, a perda é incorporada ao Eu, provocando empobrecimento narcísico, desvalorização e culpa. “Na melancolia, a sombra do objeto cai sobre o Eu” (p. 133), afirma-se, sintetizando o mecanismo de identificação com o objeto perdido. Ao longo dos textos, delineia-se um modelo do aparelho psíquico marcado por conflitos entre instâncias, pulsões e representações. A metapsicologia freudiana articula os registros tópico, dinâmico e econômico para sustentar a teoria da neurose, da psicose e das formações do inconsciente. Referência: FREUD, S. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914–1916). Tradução de Paulo César de Souza. Obras Completas, Vol. 12. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Sigmund Freud