Clínica e técnica psicanalítica

A neurose obsessiva segundo a clínica e a estrutura

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:31

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🧐Bom dia pessoal a partir de hoje haverá um *Ensaio do dia* e sim será textao 😅 *A neurose obsessiva segundo a clínica e a estrutura* O livro A Neurose Obsessiva, de Charles Melman, apresenta um desenvolvimento sistemático da estrutura obsessiva dentro da tradição psicanalítica. O autor parte da prática clínica para formalizar os traços específicos da neurose obsessiva, situando-os a partir da teoria do significante, do gozo e da articulação entre o sujeito e o Outro. A obra é composta por uma série de conferências e análises que visam esclarecer a lógica própria dessa estrutura. Logo no início, Melman diferencia a neurose obsessiva de outras estruturas neuróticas, como a histeria, e aponta que, na obsessão, o sujeito tende a estabelecer uma relação específica com o Outro marcada por defesa, controle e ritualização. Ele escreve: “A característica essencial do obsessivo é não se considerar autorizado a se dirigir diretamente ao Outro” . O obsessivo busca evitar o desejo do Outro por meio de estratégias mentais, identificações e defesas que visam proteger o eu da intrusão. A angústia está sempre presente, mas mascarada por construções obsessivas que operam como tamponamentos simbólicos. O autor destaca que “a angústia no obsessivo é constante e funciona como motor de seu pensamento circular” . A figura do pai é central na formação da neurose obsessiva. Melman afirma que o obsessivo recusa o Nome-do-Pai como significante que ordena a castração e, em seu lugar, tenta manter o Outro em uma posição idealizada e inacessível. Esse movimento impede o sujeito de ocupar uma posição de desejo autêntico. Ele escreve: “Na obsessão, o sujeito se faz de morto para escapar ao desejo do Outro” . O autor também analisa a função do pensamento obsessivo, que serve como substituto da ação. Em vez de agir, o sujeito pensa. Essa substituição visa neutralizar a eficácia do desejo. “Pensar é o modo do obsessivo adiar indefinidamente a decisão que o confrontaria com sua própria falta” . O livro também examina a função da culpa na obsessão. A culpa obsessiva não deriva de atos cometidos, mas de uma estrutura de dívida simbólica que nunca se resolve. Melman observa que “o obsessivo se sente culpado não por algo que fez, mas por existir fora do gozo do Outro” . Um ponto importante abordado é o erotismo obsessivo, que se organiza em torno da contenção e do ideal. O gozo, embora presente, é negado, deslocado ou fantasiado em formas que evitam a realização direta. O autor afirma: “O obsessivo goza em não gozar, goza da renúncia, da contenção e da culpa” . No plano clínico, Melman aponta que o obsessivo apresenta resistência à transferência, preferindo um laço analítico de tipo intelectualizado. O analista é colocado na posição daquele que detém o saber, mas não é investido como sujeito desejante. Ele escreve: “O obsessivo coloca o analista numa posição de saber absoluto para não ter que lidar com o desejo” . Por fim, o livro sugere que o tratamento da neurose obsessiva passa pela construção de uma travessia que permita ao sujeito reconhecer a castração, relativizar o Outro e se autorizar ao próprio desejo. A direção da cura exige desmontar os mecanismos defensivos que sustentam o ideal obsessivo e introduzir o sujeito em outra relação com a linguagem e o corpo. Referência: MELMAN, Charles. A neurose obsessiva. Tradução de Cristiana Carvalho. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, s/d.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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