Infância, trauma e constituição do sujeito

“Da Insistência Pulsional à Resiliência: Os Caminhos da Esperança” (Luís Claudio Figueiredo)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:24

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🧐📄 *Textão de hoje* “Da Insistência Pulsional à Resiliência: Os Caminhos da Esperança” (Luís Claudio Figueiredo) Há uma diferença profunda entre sobreviver e viver com esperança. Luís Claudio Figueiredo, nesse texto luminoso, nos convida a pensar a resiliência não como simples resistência, mas como uma forma de esperança inconsciente — uma força pulsional que insiste em ligar, em reconstruir o Eu, mesmo após o trauma. Partindo da ideia de “insistência pulsional”, o autor a compreende como uma esperança primitiva, aquilo que faz o sujeito continuar buscando laços e significações, mesmo quando tudo parece perdido. Essa insistência pode gerar tanto vida quanto destruição, dependendo de como o Eu — em suas dimensões de Ego e Self — se estrutura para lidar com o sofrimento. Figueiredo propõe uma distinção essencial entre dois modos de existir diante do trauma: A resiliência integrada, que nasce de um Self coeso, capaz de simbolizar, compartilhar e elaborar as perdas. E a resiliência dissociada, que é uma sobrevivência de alto custo — o sujeito parece forte, mas está partido; sobrevive à custa de defesas heroicas, racionalizações e idealizações. Como aponta o autor, “muito heroísmo cansa e esgota”. O preço dessa resiliência dissociada é a miséria emocional, a arrogância como defesa e a impossibilidade de sentir orgulho genuíno de si. A tarefa da psicanálise, então, é transformar essa resiliência de alto custo em uma resiliência integrada, abrindo espaço para que o sujeito possa habitar o próprio ser sem precisar se proteger o tempo todo. Isso exige tempo, cuidado e uma escuta que ajude a reconstruir fronteiras, reservas narcísicas e a capacidade depressiva — aquela que permite suportar a dor sem se destruir. A verdadeira resiliência não é o heroísmo de quem sobrevive a qualquer preço, mas a possibilidade de continuar sendo, de transformar dor em ligação, desamparo em esperança, e sobrevivência em vida simbólica.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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