Infância, trauma e constituição do sujeito

A Psicanálise dos Contos de Fadas (Bruno Bettelheim)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 06:40

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🧐📄 *Textão de hoje* *A Psicanálise dos Contos de Fadas (Bruno Bettelheim)* Bruno Bettelheim nos lembra que os contos de fadas não são apenas histórias para divertir crianças, mas caminhos simbólicos que ajudam a encontrar sentido na vida. Eles falam diretamente ao inconsciente, oferecendo imagens para lidar com medos, rivalidades, perdas e desejos. Ele escreve: “Se esperamos viver não só cada momento, mas ter uma verdadeira consciência de nossa existência, nossa maior necessidade e mais difícil realização será encontrar um significado em nossas vidas”. Ao contrário da literatura infantil superficial, os contos de fadas reconhecem as angústias mais profundas: “É esta exatamente a mensagem que os contos de fadas transmitem à criança: que uma luta contra dificuldades graves na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana – mas que se a pessoa não se intimida, mas se defronta de modo firme com as opressões inesperadas, ela dominará todos os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa”. Por isso, Bettelheim insiste que ocultar da criança o lado escuro da vida é um erro: “A cultura dominante deseja fingir, particularmente no que se refere às crianças, que o lado escuro do homem não existe (…) Mas as crianças sabem que elas não são sempre boas; e com frequência, mesmo quando são, prefeririam não sê-lo”. Em suma: o conto de fadas é uma pedagogia da alma. Ele mostra que os dilemas existenciais podem ser enfrentados e vencidos. Mais do que finais felizes, oferecem a promessa de que a vida, apesar das perdas, pode ter sentido.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Bruno Bettelheim