A Escuta, o Inconsciente e a Verdade
🧐📄 *TEXTÃO DO DIA*
A Escuta, o Inconsciente e a Verdade
A psicanálise não se faz apenas de palavras — mas de escuta.
Entre o que se diz e o que se cala, o analista aprende a ouvir o que escapa.
Como lembra Salman Akhtar, “a psicanálise é uma cura pela escuta e pela fala”;
e Nasio completa: “o analista trabalha, antes de tudo, com o seu inconsciente”.
A escuta analítica não é neutra: é um ato de presença, uma forma de se colocar entre o dito e o indizível.
O analista não interpreta para dominar — mas para permitir que a verdade apareça.
O silêncio, tão incômodo, é também palavra; o gesto, um lapsus do corpo; o afeto, uma carta do inconsciente.
Zimerman nos lembra que “pensar é um ato de audácia quando tudo, inclusive nós mesmos, conspira contra isso”.
Ser analista é sustentar essa audácia — a de pensar o impensável e ouvir o inaudível.
É ser justo com a psicanálise, como propõe Joel Birman: reconhecê-la não como ciência do controle,
mas como ética do desejo, que dá lugar àquilo que insiste em se repetir até poder ser escutado.
> “Falar sem escutar pode enganar e prejudicar.” — Salman Akhtar
“O analista dirige o tratamento, mas não domina o paciente.” — J.-D. Nasio
“A verdade não está em uma escola ou outra, mas entre elas.” — David Zimerman
Escutar é acolher o inconsciente em ato.
É deixar-se afetar por aquilo que, ao se repetir, pede finalmente para ser compreendido.
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.
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