Clínica e técnica psicanalítica

A Escuta, o Inconsciente e a Verdade

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 07:54

2 min de leitura
🧐📄 *TEXTÃO DO DIA* A Escuta, o Inconsciente e a Verdade A psicanálise não se faz apenas de palavras — mas de escuta. Entre o que se diz e o que se cala, o analista aprende a ouvir o que escapa. Como lembra Salman Akhtar, “a psicanálise é uma cura pela escuta e pela fala”; e Nasio completa: “o analista trabalha, antes de tudo, com o seu inconsciente”. A escuta analítica não é neutra: é um ato de presença, uma forma de se colocar entre o dito e o indizível. O analista não interpreta para dominar — mas para permitir que a verdade apareça. O silêncio, tão incômodo, é também palavra; o gesto, um lapsus do corpo; o afeto, uma carta do inconsciente. Zimerman nos lembra que “pensar é um ato de audácia quando tudo, inclusive nós mesmos, conspira contra isso”. Ser analista é sustentar essa audácia — a de pensar o impensável e ouvir o inaudível. É ser justo com a psicanálise, como propõe Joel Birman: reconhecê-la não como ciência do controle, mas como ética do desejo, que dá lugar àquilo que insiste em se repetir até poder ser escutado. > “Falar sem escutar pode enganar e prejudicar.” — Salman Akhtar “O analista dirige o tratamento, mas não domina o paciente.” — J.-D. Nasio “A verdade não está em uma escola ou outra, mas entre elas.” — David Zimerman Escutar é acolher o inconsciente em ato. É deixar-se afetar por aquilo que, ao se repetir, pede finalmente para ser compreendido.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

J.-D. NasioJoel Birman