Sintoma não revela... Ele esconde
🧐📄 *Textão do Dia*
*Sintoma não revela... Ele esconde*
Você acha mesmo que sabe o que está sentindo?
Ou pior: acha que o seu sintoma explica quem você é?
A clínica psicanalítica começa justamente onde essa certeza falha. Porque aquilo que aparece — ansiedade, compulsão, tristeza, repetição — não é a verdade do sujeito. É só o disfarce. O sintoma não revela, ele encobre. Ele organiza uma cena onde algo do desejo insiste… sem jamais se mostrar por completo.
E é aí que a psicanálise se torna incômoda: ela recusa a pressa. Não há diagnóstico imediato, não há etiqueta pronta, não há resposta rápida. O que existe é tempo — tempo de escuta, de tropeço, de contradição. Porque o sujeito não está no que ele diz, mas naquilo que escapa quando ele fala. Não é o conteúdo que importa, é a estrutura que se repete, silenciosa, por trás do discurso.
No fundo, o que buscamos não é entender o sintoma… é suportar não saber. Porque só quando abandonamos a ilusão de controle é que algo do inconsciente pode aparecer. E talvez essa seja a pergunta mais difícil — e mais honesta — que a psicanálise nos deixa:
você quer mesmo saber quem você é…
ou só quer aliviar o que te incomoda?
Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.
Reprodução integral do texto original, incluindo marcas de formatação e eventuais avisos de edição do WhatsApp. Sem correção ou reescrita.
Falar comigo