Amor, vínculos, desejo e luto

Freud e a angústia de perder quem amamos

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 13:11

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🧐📄 *Textão do dia* *Freud e a angústia de perder quem amamos* **Textão do dia** Freud nos ensinou que a angústia não nasce apenas daquilo que perdemos, mas também da ameaça de perder aquilo que sustenta nossa vida psíquica. Em *Luto e Melancolia* e, mais tarde, em *Inibição, Sintoma e Angústia*, ele desloca o olhar para a perda do objeto e para o desamparo como experiências estruturantes do sujeito. Jean-Michel Quinodoz retoma esse percurso para mostrar que a angústia de separação não é um fenômeno periférico: ela atravessa a infância, reaparece na transferência e acompanha os momentos decisivos da análise. Na clínica, raramente o paciente chega dizendo que teme a separação. Em vez disso, ele falta às sessões, ataca o vínculo, idealiza o analista, desinveste do tratamento ou se desespera diante de uma interrupção. Muitas dessas manifestações são tentativas de evitar o contato com uma perda que parece insuportável. Freud já havia mostrado que o luto saudável permite desligar, pouco a pouco, a libido do objeto perdido. Quando esse trabalho fracassa, porém, o sujeito permanece aprisionado ao objeto, e a dor transforma-se em sintoma, repetição ou empobrecimento da vida psíquica. Quinodoz amplia essa compreensão ao destacar que a tarefa analítica não consiste em eliminar a angústia de separação, mas em ajudá-la a ser elaborada. Talvez seja justamente aí que a psicanálise revele sua maior potência: transformar a ausência em possibilidade de simbolização. O objetivo da análise não é fazer com que o paciente nunca mais sofra diante das perdas, mas que possa atravessá-las sem perder a si mesmo. Em uma época marcada por relações descartáveis, vínculos frágeis e medo constante do abandono, a teoria freudiana permanece surpreendentemente atual. Afinal, crescer psiquicamente é aprender que amar implica suportar a separação e que nenhuma presença é suficientemente viva se não puder continuar existindo dentro de nós, mesmo quando o outro já não está presente.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Sigmund Freud