Clínica e técnica psicanalítica

“Da angústia ao desejo do analista” (Zilda Machado)

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 12:02

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🧐📄 *Textão de Hoje* *“Da angústia ao desejo do analista” (Zilda Machado)** A angústia é o ponto de partida e o ponto de chegada da experiência analítica. Em seu texto, **Zilda Machado** nos convida a pensar a passagem da angústia — esse afeto sem objeto — ao **desejo do analista**, como movimento que estrutura a própria ética da psicanálise. Freud, em *Inibição, sintoma e angústia*, já indicava que a angústia emerge quando o sujeito se vê diante de uma perda do objeto ou da ameaça dessa perda. Lacan, por sua vez, desloca o foco: a angústia não surge da falta, mas do **excesso**, da **proximidade do objeto a**, do ponto em que o desejo do Outro se torna enigmático e nos confronta com o real. É justamente aí que entra o papel do analista. Ele **não responde ao enigma do Outro**, mas sustenta o vazio, encarnando um desejo que **não deseja nada em particular** — um desejo que não quer o bem do paciente, mas sua verdade. Como escreve Machado, “o desejo do analista é o operador que possibilita ao sujeito se separar do desejo do Outro e assumir o seu próprio”. Essa travessia — da **angústia paralisante** à **angústia como bússola** — é o cerne da análise. Quando o sujeito pode desejar a partir de si, a angústia perde seu caráter de ameaça e se torna sinal de vida. O analista, nesse processo, deixa de ser o suposto saber e passa a ser o **suporte de uma falta** que impulsiona o sujeito a se construir. A análise não visa eliminar a angústia, mas **transformá-la em desejo**. O analista não cura — ele sustenta o espaço onde o sujeito pode se tornar causa do próprio desejo. A ética do analista não está em querer o bem do outro, mas em **não ceder sobre o desejo**, mesmo diante da angústia.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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