Clínica e técnica psicanalítica

O autoerotismo como vazio ativo na clínica contemporânea

Michel Francisco

Publicado no grupo em , às 19:33

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🧐📄 *Textão do dia* *O autoerotismo como vazio ativo na clínica contemporânea* O artigo “Autoerotismo: um vazio ativo na clínica contemporânea” propõe repensar o conceito freudiano de autoerotismo a partir das transformações da clínica psicanalítica atual. A autora sugere que o autoerotismo não deve ser entendido apenas como uma fase inicial do desenvolvimento psíquico, mas como uma dimensão permanente da experiência subjetiva. Nesse sentido, ele é apresentado como um “vazio ativo”, isto é, um campo de potência a partir do qual podem emergir novas formas de sensibilidade, subjetivação e relação com o outro. A noção de vazio utilizada no texto não corresponde a uma ausência ou falta negativa. Inspirada na ideia de virtualidade, a autora argumenta que esse vazio constitui um espaço de possibilidades, onde experiências ainda não totalmente simbolizadas podem ganhar forma. Assim, o autoerotismo aparece como um plano sensível do corpo e das pulsões, anterior à organização simbólica completa, que continua operando ao longo da vida psíquica. O texto dialoga com autores como Ferenczi, Daniel Stern e José Gil para enfatizar a importância das dimensões afetivas e corporais na clínica. Conceitos como afetos de vitalidade e pequenas percepções ajudam a compreender experiências emocionais sutis, muitas vezes anteriores à palavra. Na prática analítica, isso implica uma escuta que não se limita ao conteúdo verbal, mas inclui gestos, ritmos, tonalidades afetivas e microexperiências corporais presentes na relação transferencial. Dessa forma, a clínica psicanalítica contemporânea passa a ser entendida não apenas como interpretação de significados inconscientes, mas como um espaço de experimentação sensível. Sustentar o vazio autoerótico na análise permite que o sujeito atravesse processos de transformação e reorganização psíquica. O vazio, portanto, não é algo a ser rapidamente preenchido, mas um campo fértil onde podem surgir novas formas de experiência e de subjetividade.

Publicado originalmente no grupo Psicanálise & Curadoria.

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Autores citados

Sándor Ferenczi